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CAPITULO 4 – PRODUÇÃO E DISTRIBUIÇÃO

DOS FANZINES

 

         Neste capítulo quero concentrar-me nos aspectos mais técnicos que envolvem o fanzine. Este tipo de produção abrange vários tipos de métodos, entre os quais, a distribuição disponibilizada pelo escritor/produtor de zines, assim como anúncios e direitos de autor. De todo modo, em primeiro lugar, vou abordar o assunto dos formatos e conteúdos dos vários tipos de zines existentes.

 

Conteúdo

 

A diversidade do conteúdo dos zines é a característica mais fulgurante destes.

Como referi na introdução, existe a percepção de que os fanzines abordam temas relacionados com uma determinada banda ou personalidade, mas o que se passa na realidade é totalmente oposto a esta ideia. De facto, a maioria dos fanzines não se limita a “cobrir” uma determinada variedade de música, é comum verificar que incluem artigos sobre filmes, livros e pequenas histórias e bocados da vida do próprio autor.

Arte e desenho são outros dos aspectos de grande importância num fanzine.

 

Como exemplo da variedade de fanzines que podemos encontrar, vou fazer um breve resumo de um dos fanzines. Trata-se do zine Unknown Town .

 

Este zine é constituído por 16 páginas, a preto e branco

Em formato A5. Nas 1ªs páginas encontramos o editorial e a

ficha técnica, que será a linha condutora da edição do zine.

            Nas páginas seguintes estão em destaque assuntos rela-

cionados com um evento e uma banda.

            Nas restantes páginas também se podem encontrar noti-

cias sobre bandas. Tem também um sitio denominado Fotograf-

-fiti dedicado aos desportos alternativos. Juntamente com estas,

existem outras rubricas que não são constantes no zine Unknown

Town.

Outras que poderão aparecer ou não, são as letras de

Musica, as grandes cidades da música, curtas e directas.

 

Este zine contribui para a elaboração de outros.

 

O que poderia parecer uma enorme confusão de artigos, não o é, pois cada “peça está unida”, ou seja, o produtor pensa até ao detalhe na disposição que vai dar a cada artigo, assim como os temas a abordar. Sem se verem obrigados a seguir um determinado esquema ou qualquer tipo de delineamento com “manda” o mercado, os zines tem praticamente toda a liberdade para serem publicados da maneira como o autor julgar ser a melhor.        

A necessidade de existir um certo constrangimento no escritor é muito importante no conteúdo de um zine.

As revistas comerciais têm geralmente de se manter atentas a determinados factores; atentas és exigências do mercado, assim como à competição e aos anúncios.

Os artigos devem ser escritos tendo em mente como prioridade as audiências. A maioria dos zines não tem qualquer concepção da chamada “audiência”.

 

O conteúdo de um zine dirige-se essencialmente para tudo aquilo que interessa ao produtor; espera-se então, que depois da publicação sair, haja um determinado grupo de pessoas que se identifiquem com os temas abordados pelo autor do zine.

 

Os zines estão perfeitamente atentos a todo o tipo de publicação que existe, logo, raramente existe o sentido de competição.

 

È comum para um determinado número de zines, dar importância a artigos acerca de “pequenas” bandas, principalmente àquelas que anseiam por dar entrevista e ganharem algum tipo de publicidade. Existem ainda bandas que se sentem motivadas para a criação dos seus próprios zines. Isto é, em parte, uma reflexão acerca da influência preponderante nos escritores, existem pouquíssimos zines a falarem de hip hop ou rap, pois a característica predominante nos autores é o facto de serem “brancos, pertencerem à classe média e terem alguns estudos”. Existem alguns autores que concordam com este item pois: “ quantas fanzines é necessário existir no mundo, acerca dos Manic Street Preachers? Existe um determinado número de fanzines, que para chegar a um ponto, tem de regular os seus conteúdos para assim manter a sua posição. Um outro aspecto que influência o conteúdo de um zine: as revistas comerciais.

 

È difícil dizer e saber se as revistas comerciais estão em competição directa com os zines; os seus conteúdos divergem de forma considerável, os zines dão cobertura ao material que é geralmente ignorado pelas revistas comerciais. De todo o modo, o conteúdo destas revistas de música e tudo o que é observado por elas, tem grande influência sobre os zines. O facto de muitas bandas não serem mencionadas nas revistas comerciais de musica, por razões de “espaço”, ou seja, por limitação de artigos que é imposta, é uma das causas para as pessoas se sentirem motivadas a começarem a produzir fanzines e outra das razões para existirem zines é porque no geral as pessoas anseiam encontrar determinados tipos de informação em algum lado.

 

Se o mainstream e a impressa não abordarem temas que interessa ao público em geral, o único caminho para que exista uma cobertura dos factos é começar-mos a criar.

Outro ponto a ter consideração aqui, é o facto, de tanto a impressa como uma pequena escala de fanzines manifestarem o mesmo interesse sobre algumas matérias, ou seja, existe espaço para os dois tipos de edições, e estes diferentes tipos de informação podem vir a tornar-se num óptimo tópico para ambas as publicações.

 

Convêm mencionar que algum conteúdo de certas fanzines nunca poderia ser reproduzido em nenhuma revista comercial.

 

 

Formato

 

Existe um número variado de formatos possíveis de existir nos zines. Embora existam alguns que se apresentam em A4, a maioria usa o tamanho A5, devido ao volume (número de páginas) que os constitui.

Quanto à capa, há quem a crie, apostando em ideias originais e fugindo as mais usuais a preto e branco.

 

A motivação com que é criado o zine é um ponto determinante no formato deste.

 

È claro que existem alguns zines que não se interessam por “informação”, propriamente dita, são baseados essencialmente em humor, BD, entre outros, como é o caso do Miuzine.

 

 

Métodos de Produção

 

Os zines originais do punk, tinham um dos mais distintos designs que alguma vez foram produzidos; eles não só cortavam e colavam material apropriado para os mainstream média, como também voltavam a colocar bocados de impressões e ate parágrafos inteiros que tinham sido criados em tipografias e mesmo escritos a mão e eram projectados deste modo nas páginas do zine.

 

De todo modo, muitos outros tipos de designe existem para a elaboração dos zines, especialmente nos dias que correm, em que existe muito software disponível para tal.

 

O facto da tecnologia estar a aumentar, atingindo toda a gente, provoca um aumento significativo na produção de zines. Mas o conceito principal que consiste em criar um zine com as próprias mãos (recorrendo o mínimo possível à tecnologia, excepto fotocopiadoras) ainda constitui uma grande importância na cultura dos zines.

 

Durante a minha pesquisa encontrei dois tipos de publicação, aquela que é feita toda à mão e a que é processada por computador. Mesmo assim, as que são processadas por computador, são distintas das revistas comerciais.

 

Outra ideia geral, e que é extremamente importante, é o facto das impressões ser feitas em fotocopiadoras por ser mais barato. È claro que tudo isto tem grande impacto na aparência do zine, particularmente na qualidade das fotografias, como a impressão a cores é extremamente mais cara, têm de se sujeitar ao preto e branco.

 

Algo que deixa de ser surpreendente é o facto de haver um paralelo entre os zines que são construtivamente considerados como “pouco profissionais” (no verdadeiro sentido da palavra) e a pouca credibilidade que se dá ás revistas comerciais do mainstream, que são suficientes em determinados assuntos.

 

Acerca da Organização

 

Como existe uma clara organização e reconhecimento na produção das revistas do mainstream, muitos zines, de modo a terem um maior reconhecimento, tornam-se muito mais anarquistas no que diz respeito à disposição e apresentação dos seus trabalhos.

Contudo, a disposição do trabalho por vezes não segue o padrão pré-estabelecido, existem escritores que os tornam parecidos com manifestos elaborados por serial killer`s.

Mas isto é algo que os produtores de fanzines vão aprender com a experiência e mesmo assim, talvez nunca venham dar a importância nem prioridade a uma leitura simples, preocupando-se apenas com a apresentação.

 

 

RALPH coffee, jazz, & poetry – nº50,1998

 

 

 

Distribuição

 

È nesta área que surgem os maiores problemas. As revistas de música fazem parte de um ambiente muito competitivo e têm uma disposição de certo modo difundida no mercado, logo podem sempre ter a esperança que a publicação venha a ter qualidade. Pelo contrário é sempre muito complicado encontrar sítios que se disponham a vender ou promover fanzines. Em parte deve-se à enorme diversidade de zines, enquanto alguns apresentam bom material com artigos originais, existem outros que apresentam material já abordado anteriormente e até a reaplicação de antigos trabalhos. Torna-se então um problema para a percepção de zines, aos olhos dos consumidores e empresários. Ambos os grupos acabam por ver os zines como más publicações.

 

 

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